Styles 30 Jul 2026 · Por Anna Bergner

Tapetes como elemento de decoração: entrevista com a designer de interiores Anna Bergner

Erfahren Sie im Interview mit Interior Designerin Anna Bergner, wie Teppiche Räume gestalten, Atmosphäre schaffen und das Interior Design stilvoll aufwerten. Inspirierende Tipps & Trends.

Teppiche als Gestaltungselement:  Interview mit Interior Designerin Anna Bergner

Introdução

Que tapete combina com que divisão? Esta pergunta surge normalmente mesmo no fim de um projeto de decoração – quando a cor das paredes da sala de estar e os móveis, como o sofá, os armários e a mesa de centro, já estão definidos há muito. É precisamente neste ponto, porém, que se decide se uma divisão transmite harmonia ou se ainda lhe falta alguma coisa. Falámos com Anna Bergner. Através do seu serviço de consultoria de decoração online, planeia conceitos completos para a casa e desenvolve soluções de decoração personalizadas, feitas à medida dos desejos e do dia a dia dos seus clientes.


1. Como aborda a escolha do tapete num projeto novo – o que vem primeiro: o tapete ou o resto da decoração?

Bem, no meu caso, o que vem primeiro é mesmo o tratamento das paredes – claro que só quando não se pretende deixar as paredes simplesmente brancas. Ou seja, a primeira coisa que defino são as cores das paredes. Depois vem a decoração propriamente dita, com os móveis. E, mesmo no fim, entram os têxteis: cortinados, tapetes e acessórios de decoração, como os candeeiros.

Deixo a escolha do tapete, deliberadamente, para uma fase relativamente tardia. A razão é muito simples: existem inúmeros modelos, materiais, cores e padrões. Quando o conceito de decoração já está definido, é muito mais fácil decidir que tapete é, no fim, realmente perfeito para a divisão.

2. Que papel tem o tapete no ambiente de uma divisão, sobretudo quando o espaço é pequeno?

O chão – e, para mim, isso inclui também o tapete – tem uma influência decisiva no ambiente de uma divisão.
Com um tapete, é possível alterar deliberadamente o efeito de um pavimento ou melhorar visualmente um revestimento de chão menos conseguido.
Um exemplo são os pavimentos muito escuros, seja parquet ou betão. Formam uma base escura e fazem muitas vezes uma divisão parecer um pouco mais pequena e mais escura. Por isso, sobretudo nas divisões pequenas, recomendo um tapete claro, em cores discretas, para iluminar visualmente o espaço.

Também nos pavimentos visualmente muito carregados, como ladrilhos com padrões fortes ou vinil com veios muito vistosos, um tapete grande e liso pode fazer autênticos milagres. Cobre uma boa parte do chão e traz muito mais calma à divisão. Passa-se algo semelhante com os pavimentos com um subtom acinzentado e frio. Quando, na verdade, se deseja um ambiente quente e acolhedor, um tapete em tons quentes pode compensar na perfeição essa impressão fria e tornar a divisão mais harmoniosa. Regra geral: sobretudo nas divisões pequenas, os tapetes claros, de preferência de grande formato, fazem muitas vezes o espaço parecer maior e criam, ao mesmo tempo, uma base calma e harmoniosa para toda a decoração.

3. A que presta atenção no material e na qualidade – e onde vale a pena investir?

Começo por ver para quem é, afinal, o tapete. Quem vive naquela casa? Há crianças ou animais de estimação? O tapete tem de ser especialmente fácil de cuidar, robusto ou resistente ao desgaste? Ou há, talvez, alguém com alergias em casa? Todos estes fatores entram na escolha. Depois, trata-se da utilização da divisão e do efeito pretendido. Um corredor muito usado todos os dias tem exigências completamente diferentes das de uma sala de estar ou de um quarto, onde o conforto está em primeiro plano.

Por isso, nas zonas de muita passagem, como o corredor ou a cozinha, costumo recomendar um tapete de pelo curto. É mais fácil de cuidar e aguenta melhor o desgaste diário. Para salas de estar e quartos, pelo contrário, os tapetes de pelo alto, shaggy ou tufados com grande densidade resultam particularmente bem. Dão uma superfície macia e quente e criam de imediato um ambiente acolhedor.

4. Como combina os tapetes com as cores das paredes? (Tem artigos muito interessantes sobre o tema no seu site.)

Sim, claro que é muitíssimo importante que o chão se enquadre no conceito geral. Por chão, refiro-me sobretudo ao revestimento do pavimento – parquet, vinil ou ladrilhos, por exemplo. O tapete, vejo-o mais como um elemento de decoração ou um apontamento, um pouco como os cortinados. Nos cortinados, faço questão de que se destaquem da parede pela cor. Da mesma forma, um tapete deve distinguir-se do chão pela cor. Para mim, este é mesmo um dos pontos mais importantes, porque o tapete e o chão estão em contacto direto. Com a parede, não existe essa ligação imediata.

Naturalmente, o tapete também deve combinar com o conceito cromático da divisão. O decisivo, porém, é que se harmonize com o chão e, ao mesmo tempo, se destaque dele – por exemplo, com um tom mais claro ou mais escuro.
Quanto maior for esse contraste, mais o tapete se torna um ponto focal e mais presença ganha na divisão.

5. Clássico oriental ou moderno – quando recomenda um ou outro aos seus clientes?

Na verdade, não tenho regras rígidas. Guio-me sempre por aquilo que os meus clientes me dão como inspiração. Normalmente recebo imagens do Pinterest, das quais muitas vezes já se consegue depreender um estilo ou determinadas preferências. Se, por exemplo, vejo repetidamente tapetes orientais, é claro que isso também entra nas minhas recomendações. Quando a direção não é totalmente clara, confio no meu instinto. Pergunto-me então: o que combina melhor com a divisão?

O que poderá agradar às pessoas que lá vivem? E, às vezes, uso um tapete de forma muito consciente para introduzir uma pequena quebra de estilo. Um tapete oriental, por exemplo, pode ficar incrivelmente interessante numa sala de estar moderna e dar mais personalidade ao espaço.


Em geral, porém, constatei que os tapetes vintage, com o seu aspeto ligeiramente desbotado, são extremamente versáteis. Combinam com estilos de decoração muito diferentes e resultam muitas vezes particularmente harmoniosos. Se tivesse de escolher um só estilo de tapete, este seria provavelmente o meu favorito.

6. Qual é o erro mais comum que vê na escolha de tapetes?

Um erro que vejo constantemente é o tamanho errado do tapete. Às vezes, os tapetes são simplesmente demasiado pequenos, de modo que mal cabe neles a mesa de centro. Para o ambiente da divisão, isso está longe de ser o ideal. Como regra prática: o tapete deve ser suficientemente grande para que cerca de dois terços dos móveis da sala de estar fiquem em cima dele. O sofá não tem de ficar totalmente sobre o tapete, mas pelo menos os pés da frente devem caber nele. O ideal é que as bordas do tapete fiquem até ligeiramente escondidas debaixo dos móveis estofados. Assim, a divisão parece muito mais harmoniosa e coerente.

Outro erro frequente é a escolha da cor. O tapete deve harmonizar-se com o chão, mas ainda assim destacar-se claramente dele. Às vezes, a combinação de cores simplesmente não resulta; outras vezes, o tapete e o chão têm quase o mesmo tom. Nesse caso, o tapete perde-se visualmente. Gosto de o comparar a um cortinado branco diante de uma parede branca. Pode funcionar, se o objetivo for um efeito muito calmo e arejado. Na minha experiência, porém, as divisões parecem mais vivas e mais requintadas e ganham mais profundidade quando existe um contraste suave entre o chão e o tapete.

7. Um projeto concreto em que o tapete transformou a divisão – pode contar-nos como foi?

Lembro-me logo de um projeto. Os meus clientes tinham acabado de se mudar para um apartamento novo. A área social aberta era composta por quatro zonas: cozinha, refeições, estar e uma zona lounge num recanto envidraçado, com janelas até ao chão. O desafio era fazer com que a zona de estar e a zona lounge, apesar das suas utilizações diferentes, parecessem um todo. No recanto envidraçado, os clientes queriam móveis estofados confortáveis para serões animados com amigos, enquanto o grande sofá de canto se destinava sobretudo a ver televisão.

O maior desafio foi o tapete. Um tapete retangular clássico não teria acompanhado a forma especial da divisão. Depois de uma longa procura, acabei por encontrar um tapete assimétrico, numa espécie de forma de rim, que unia visualmente o sofá, a chaise longue e o cadeirão. Costumo compará-lo a um tabuleiro: vários objetos decorativos colocados em cima dele parecem logo um conjunto. Da mesma forma, um tapete dá aos móveis um enquadramento visual e faz com que toda a área pareça harmoniosa, como se fosse feita de uma só peça.

8. O seu conselho mais importante para quem anda à procura de um tapete?

O meu conselho mais importante seria: use os tapetes de forma muito consciente como elemento de decoração. Dão às divisões mais profundidade, calor e conforto e, muitas vezes, são eles que tornam uma casa verdadeiramente acolhedora. Gosto particularmente de trabalhar, nas salas de estar e nos quartos, com tapetes que tragam muita textura – por exemplo, tapetes de pelo alto, tapetes tufados espessos ou modelos com uma estrutura em relevo.


Graças à sua textura, parecem mais vivos e mais requintados do que um tapete liso de pelo curto e criam um ambiente particularmente acolhedor.
É claro que a escolha depende sempre da divisão. Nas zonas muito usadas, um tapete de pelo curto é muitas vezes a solução mais prática. Mas, quando o que conta é o conforto, eu optaria sempre por um tapete com mais relevo e textura.

Entrevista: Morgenland × Anna Bergner, designer de interiores